A mudança não foi apenas estética. O objetivo era deixar o blog mais legível, mais focado no conteúdo e mais coerente com o tipo de texto que eu escrevo: posts técnicos, longos e pensados para leitura.
O ponto de partida
O design anterior tinha uma identidade visual interessante, mas não era a mais adequada para um blog composto principalmente por texto. Eu usava efeitos de blur, glassmorphism, gradientes e múltiplas cores de acento.
O problema é que esses elementos competem com o conteúdo. Em uma landing page ou em uma interface de produto, eles podem criar impacto. Já em um blog, onde a maior parte da experiência é ler parágrafos, títulos, listas e blocos de código, o excesso de decoração pode atrapalhar.
Eu percebi que estava priorizando o visual do container em vez da legibilidade do conteúdo.
A decisão: um visual editorial
A nova direção foi inspirada em interfaces editoriais e em sites de produtos que colocam tipografia no centro da experiência. A referência não era transformar o blog em uma página minimalista sem personalidade, mas reduzir ruído visual e valorizar o texto.
Em vez de vários acentos, agora existe um único laranja queimado. Em vez de cartões translúcidos, o layout usa mais espaçamento, hierarquia tipográfica e separadores discretos. O resultado é um design mais calmo, mas ainda com identidade própria.
Tokens antes e depois
Uma das mudanças mais importantes aconteceu nos design tokens do global.css. Antes, o violeta era a cor principal de destaque:
--accent: #7c3aed;
Depois, ele foi substituído por um laranja queimado:
--accent: #b8502a;
No dark mode, a mudança também não foi apenas inverter cores. Em vez de usar tons frios e azulados, o fundo escuro passou a ter uma tinta quente:
--background: #171310;
Essa escolha evita aquele contraste duro entre um fundo escuro azulado e textos claros. O resultado é um dark mode mais confortável e mais coerente com a paleta clara do blog.
O que a tipografia faz sozinha
A maior parte da mudança não veio de animações ou efeitos, mas de decisões tipográficas.
O h1 ficou maior, o espaçamento entre elementos foi ajustado e o tracking recebeu um ajuste negativo de -0.03em. Também passei a usar pull quotes para destacar trechos importantes.
A ideia foi simples: usar tipografia como decoração. Um título bem dimensionado, um parágrafo com boa medida de leitura e um espaçamento consistente conseguem criar hierarquia sem precisar de gradientes, sombras ou elementos decorativos.
Listas numeradas no lugar de cards
A mudança mais visível da home foi trocar um grid de cards por listas numeradas.
Antes, cada post aparecia como um cartão. Agora, os posts aparecem como itens de uma lista editorial, com numeração, título, descrição e separadores tracejados. O post mais recente recebe destaque com a numeração № 001.
Essa mudança reforça a ideia de um blog como uma sequência de leitura, e não apenas como uma coleção de blocos visuais. Ela também deixa a hierarquia mais clara: o leitor entende rapidamente qual é o conteúdo mais recente e como os demais posts se organizam.
Dark mode sem azular
Muitos dark modes acabam usando azul, roxo ou cinza frio como base. No redesign, eu quis seguir a mesma tinta quente da versão clara.
O fundo escuro usa tons próximos ao marrom, enquanto o laranja queimado continua funcionando como acento. Isso cria continuidade entre os dois modos e evita a sensação de que o dark mode é uma versão completamente diferente do site.
O que ficou de fora
Reduzir também foi uma decisão de design.
Ficaram de fora animações de scroll, efeitos de entrada mais elaborados e novos scripts JavaScript. O blog manteve apenas micro-interações necessárias, como estados de hover e transições discretas.
O resultado foi uma mudança visual relevante sem aumentar a complexidade do projeto. Foram cerca de 23 linhas a menos no CSS, nenhum JavaScript novo e o build permaneceu praticamente igual.
Resultado
O redesign deixou o blog mais focado no que realmente importa: os posts.
A combinação de papel quente, tipografia maior, um único acento laranja e listas numeradas criou uma identidade mais editorial. Em vez de tentar parecer uma interface de produto moderna, o blog agora se comporta como um lugar pensado para leitura.
A lição principal foi entender que menos brilho pode significar mais clareza. Nem todo projeto precisa de gradientes, blur e animações para ter personalidade. Às vezes, a melhor decisão de design é remover o excesso e deixar a tipografia falar.


